Dados, agentes inteligentes e estratégias de produtividade na indústria

Mentoria Coletiva em IA na Fiesp, que contou participação de especialista da Singularity University, dos EUA, teve como objetivo apoiar indústrias de diferentes portes para que avancem na adoção da tecnologia

Alex de Souza

O Conselho Superior da Micro, Pequena e Média Indústria (Compi) e o Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi), da Fiesp, realizaram nos dias 11 e 12 de dezembro a Mentoria Coletiva em Inteligência Artificial – Conexão IA: Ideias, Cases e Soluções em Rede.

O objetivo do evento foi apoiar indústrias de diferentes portes no avanço de suas estratégias de estruturação de dados, organização de informações e adoção de tecnologias inteligentes para fortalecer a competitividade.

O encontro reuniu representantes de empresas que passaram por mentorias individuais. Também participaram especialistas do Senai-SP e da Rede Globo. Na abertura, o presidente do Compi, Sylvio Gomide, disse que “o resultado da inteligência artificial, quando aplicado, é recebido imediatamente”.

O evento teve a participação de 15 empresas, em mentorias presenciais, e quatro delas, Baumer S.A., Continental Parafusos S.A., Indústrias Mangotex e Kinner Silicone, compartilharam seus desafios e resultados.

Já o diretor regional do Senai-SP, Ricardo Terra, apresentou a estratégia da instituição para ampliar o uso de IA no setor produtivo, especialmente entre as pequenas e microempresas. Ele relembrou que a entidade estuda o tema há seis anos e que o avanço tecnológico exige mudança profunda na forma como as indústrias operam.

“A população economicamente ativa do estado está diminuindo, e isso significa que as empresas precisarão ter mais produtividade com menos pessoas. E é aí que entra a inteligência artificial”, afirmou Terra, que explicou os esforços da entidade para construir uma política própria de IA. Tal política poderá servir como diretriz para todas as empresas que empregarem essas tecnologias.

“Estamos na era dos agentes de inteligência artificial. E o Senai quer dar escala ao uso de dados e transformar a instituição em uma grande biblioteca de agentes, ou seja, aplicativos, que aproveitem a similaridade dos processos industriais e possam ser utilizados por qualquer empresa do setor industrial”, disse o diretor.

Atualmente, o Senai-SP conta com cerca de 60 profissionais especializados e desenvolve ferramentas em parceria com universidades públicas, além de liderar a Jornada de Transformação Digital, que já proporcionou ganhos significativos de produtividade às cerca de 30 mil empresas participantes.

Entretanto, o grande desafio, segundo Terra, é chegar às Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) com soluções práticas. “Os dados são a matéria-prima da inteligência artificial. E queremos fomentar um ecossistema que ainda não está estabelecido no país, que seja capaz de atender todas as empresas, e criar agentes de IA voltados ao setor industrial”.

O diretor de Operações Comerciais, Dados e Performance da Globo, Eduardo de Oliveira Ferreira, parabenizou a iniciativa da Fiesp e deu exemplos de como a inteligência artificial já faz parte do dia a dia da empresa. “A IA ajuda a produzir conteúdo, e está presente em novelas e até mesmo nas sugestões de notícias que recebemos no celular”, explicou.

Encerrando o painel, o especialista em IA pela Singularity University, dos EUA, Alexandre Nascimento, classificou como urgente a necessidade de o Brasil buscar diminuir a desigualdade em relação aos outros países em questões tecnológicas. Para ele, o país perdeu oportunidades por não ter políticas de estado contínuas.

“Independentemente do ponto de partida, ao encarar o assunto com seriedade, não porque é o assunto da moda, isso vai ser transformador para qualquer país ou organização”, afirmou.

E alertou para o impacto das transformações tecnológicas no mercado de trabalho. “Até 2029, cerca de 30 milhões de pessoas perderão vagas no mercado formal, com mais gente migrando para a informalidade, e esse fenômeno vai ocorrer no mundo todo”.

Apesar dos desafios, Nascimento reforçou que não se pode fugir do avanço das novas tecnologias e que as empresas e países devem buscar constantemente o caminho da adaptação às mudanças. “A inovação é um incômodo, mas ela deve continuar”, concluiu.

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